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Andando Reto

Publicado por Gabriel Lage Neto em 16/10/2008

Então, vamos lá! O segundo da série Os 100 Melhores Filmes Que Eu Já Assisti:

Johnny e June, filme baseado nas biografias Man In Black e Cash: The Autobiography escritas pelo próprio Johnny Cash.

Breve ficha técnica:
Título original: Walk The Line
Ano: 2005
Diretor: James Mangold
Roteiristas: James Mangold e Gil Dennis. Baseados nos relatos de Johnny Cash (Man In Black / Cash: The Autobiography) e Patrick Carr (Cash: The Autobiography)

Confesso que conhecia absurdamente pouco sobre o Johnny Cash quando vi o filme pela primeira vez. Eu havia acabado de chegar à São Paulo, tinha visto alguns pôsteres promocionais nos cinemas de Belém, e resolvi conferir a história do músico country norte americano. Gostei tanto que em menos de uma semana fui novamente ao cinema assistir novamente (minha vida na época era bem mais simples do que é nos dias atuais, ainda não tinha passado na seleção da pós da USP, por conseqüência devo ter visto todos os filmes que estavam em cartaz).

O filme dá uma breve pincelada na infância de Cash (Joaquin Phoenix), talvez para justificar seus atos na maturidade ou apenas para mostrar suas origens mesmo. Logo depois pula para sua busca por uma gravadora, reconhecimento de suas canções, o inevitável alcance do estrelato e o encontro com June Carter (Reese Whiterspoon), de quem era fã desde criança.

O título original “Walk The Line” é obviamente mais pertinente à história. Já que fica bem claro o que é que Cash tem que fazer para conseguir o que tanto busca durante o filme inteiro.

Novamente é necessário citar a Jornada do Herói de Joseph Campbell, já que o protagonista percorre praticamente todos os seus estágios, tais como o Mundo Comum, o Chamado da Aventura, Encontro com o Mentor, O Primeiro Portal, Provações, Recompensa, Ressurreição do Herói e, principalmente, o Regresso com o Elixir.

Recomendo fortemente o filme, principalmente para os homens que, como eu, são persistentes e fiéis às suas vontades e às mulheres que conseguem enlouquecer qualquer marmanjo.

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Ultraje Completo

Publicado por Gabriel Lage Neto em 06/10/2008

No último dia 26 eu e minha namorada completamos oito meses juntos. Eu, muito romanticamente, levei-a para assistir um show… do Ultraje a Rigor. Tudo bem não há nada de romântico nisso, mas era uma apresentação única na Fiesp da Paulista e calhou de ser justamente no dia 26, fazer o que?

O negócio é o seguinte, já há algum tempo eu estava querendo escrever sobre o Ultraje, que é uma das minhas bandas favoritas, e fazer uma afirmação que talvez seja óbvia para alguns e talvez esdrúxula para outros. Aqui vai: O Ultraje a Rigor é, sem discussão, uma das bandas com letras mais inteligentes dos anos 80.

Estranho? Eu explico:

Analisando os meios de comunicação em massa e o reflexo destes na sociedade contemporânea, podemos ver que as letras do Ultraje são muito mais do que uma audição/leitura bastante superficial classificaria como, no máximo, divertida ou falando português claro, besteirol.

É óbvio que a maioria das músicas é engraçada. O que conta mais pontos para a esperteza de Roger Moreira, compositor e vocalista da banda, que, muito inteligentemente, sabe como as coisas funcionam e resolveu infiltrar sua ideologia em um rock’n’roll aparentemente, e só aparentemente, descompromissado.

Fundamentos? Aqui estão:

Pelado é uma música cujo objetivo é incitar o não uso de vestimentas por parte da sociedade em geral, incluindo seu pai, sua mãe, seu avô e sua tia? Pode ser, mas também é uma crítica ao pouco caso dos governantes (e também da sociedade, porque não?) em relação à cultura, alimentação, saúde e moradia do povão. Isso tudo em 1987, mais de vinte anos se passaram e parece que a barriga pelada ainda é a vergonha nacional.

Inútil. É uma porrada atrás da outra, sobre um povo que não consegue falar corretamente, se cuidar, ascender profissionalmente, pagar as contas e nem escolher presidente. Acho que já ouvi essa história antes.

E Nada a Declarar? (ou, como o Roger mesmo disse no show da Fiesp, a música mais conhecida como Cu) Essa decididamente é uma música que não tem conteúdo algum, feita num momento no qual a banda estava apagada, certo? Errado! Ela saiu pela primeira vez no álbum ao vivo 18 Anos Sem Tirar, de 1998. Roger reclama da baixaria generalizada, dor de corno e bunda pra todo lado (e olha que as mulheres-fruta ainda não tinham sido inventadas) que predominava na indústria fonográfica da época e, só para não sair por baixo, no final ainda enfia um palavrão: Cu!

Eu poderia continuar falando de outras músicas, como Rebelde Sem Causa, Sexo, Filha da Puta, dentre outras, mas acho que já deu pra entender meu ponto. Portanto, repito mais uma vez: Roger Moreira e sua trupe entendem muito bem da relação comunicação/sociedade e tiram o maior proveito disso. Quanto a mim, ainda tenho muito que estudar sobre essa relação. Só me resta desejar vida longa ao Ultraje a Rigor.

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