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O que realmente importa

Publicado por Gabriel Lage Neto em 14/09/2009

Há poucos dias eu estava em uma reunião religiosa onde estava sendo discutida a parábola do filho pródigo. Primeiramente foi feita a leitura e ao final alguns dos presentes deram suas interpretações sobre a mensagem contida naquela narrativa mitológica. Faço aqui um breve resumo para os que não estão familiarizados com a história: havia um senhor que tinha dois filhos, certo dia o mais novo deles pediu sua parte da herança e partiu para longe. Após gastar tudo o que tinha e sem ter o que comer, decidiu voltar e pedir o perdão do pai, mesmo que para isso tivesse que se humilhar. Ao ver o filho retornando, o pai mandou que lhe vestissem com as melhores roupas, que matassem um cordeiro e que fizessem uma festa. Ao presenciar tudo isto, o filho mais velho ficou indignado, ao perceber sua revolta, o pai fez questão de lhe explicar: – Fiz tudo isso pois seu irmão, que estava perdido, foi reencontrado.

Aquela velha conversa de que nunca lemos o mesmo livro duas vezes, também se aplica aqui. Há muito tempo eu não ouvia essa história e dessa vez ela me trouxe uma mensagem diferente. Imaginem um pai que tem apenas dois filhos e vê o mais moço partir, se perder na vida. Com o passar do tempo, já sem esperanças de revê-lo, este lhe aparece com o juízo perfeito e com uma lição aprendida. O pai teve a garantia de que seu filho estava realmente bem, definitivamente de volta e para obter esta graça apenas precisou dar metade do que tinha. Nada além de bens materiais que não lhe dariam nenhum conforto caso seu filho tivesse morrido.

Esta é uma parábola muito interessante para o nosso tempo, no qual a abundância de dinheiro e posses é julgada fundamental por grande parte da sociedade. Na contramão deste pensamento quase unânime, o sociólogo paulista Cláudio Coelho afirma que o culto ao dinheiro e à propriedade não é inerente à nossa natureza, e sim uma criação histórica, que pode perfeitamente sumir.

Temos cada vez menos tempo, vivemos atarefados, preocupados com o acúmulo de renda, com as contas a vencer e não percebemos que estamos correndo em círculos. Parando um pouco para pensar, que lógica tem o consumo exagerado, seguido pelo trabalho incessante, seguido do sofrido pagamento das contas (geralmente em parcelas a perder de vista), que nos dá o pretexto de consumirmos novamente e começar tudo mais uma vez? Outra pergunta: por que muitos trabalham em empregos que nem ao menos lhes dão prazer, somente para ter um pouco mais de dinheiro para comprar ainda mais coisas, que no final nem são realmente necessárias?

A posse de muito dinheiro, ou de bens materiais que conferem status aos seus proprietários perante a sociedade, na verdade não é importante. O que importa é onde o indivíduo emprega sua renda, seja ela grande ou pequena. Gastar como bem entender o seu dinheiro é direito de todos, e não cabe a ninguém recriminar alguém pelo modo como gasta seus ganhos. Mas é no mínimo estranho, em uma realidade social como a nossa, alguém gastar centenas de reais em uma simples calça jeans, enquanto muitos não conseguem colocar um pão na mesa.

Já que nossos governantes não se importam, pois, como políticos que são, se interessam apenas em fazer política, façamos nós a nossa parte. Deixemos de lado o glamour do “ser” e do “ter” e, sem ligar para a crença, ou para a falta dela, aprendamos com a parábola do filho pródigo: Nem todo o dinheiro do mundo compra a paz de espírito que a certeza do bem estar de nossos semelhantes proporciona.

* Este texto foi originalmente publicado no jornal O Liberal do dia 14/09/09.

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Sugestão para o dia das mães

Publicado por Gabriel Lage Neto em 06/05/2009

Neste dia das mães o melhor presente que você pode dar para a sua é este: nenhum. Quero dizer, nenhum presente material, nada do que anunciam incansavelmente na televisão que sua querida mãe merece. Nada de celulares, aparelhos de DVD, sapatos, roupas ou jóias, isso é papo furado de publicitário.

No lugar dessa parafernália supérflua e sem valor dê o que toda mãe quer de verdade, tudo bem, algumas até valorizam essas bobagens supérfluas, mas com certeza também apreciarão imensamente o que você tem a dar: amor.

No final das contas, todos os bens materiais exaustivamente comprados e pagos naquelas parcelas a perder de vista só dão alegria mesmo para as mães dos seus fabricantes e revendedores. A alegria da sua mãe por receber o presente dura o que? Na melhor das hipóteses, se ela gostar do que ganhou, um mês, ou até o celular quebrar, a roupa manchar e o sapato perder o salto, o que acontecer primeiro.

Amor de filho é um bem imperecível, com garantia pra vida toda e mais um pouquinho. Transforme esse dia criado pelo capitalismo apenas com o fim de lhe endividar e ganhar mais um dinheirinho em uma oportunidade de demonstrar seu carinho por sua mãe.

Ficamos combinados assim, então: Esqueça os shopping centers lotados e dedique o dia inteiro somente àquela que lhe ama com ou sem presentes nas mãos. No final ficará a certeza que dinheiro nenhum pode comprar, mesmo com todas as diferenças e desacordos, o amor de mães e filhos é um dos mais valorosos existentes.

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