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Ultraje Completo

Publicado por Gabriel Lage Neto em 06/10/2008

No último dia 26 eu e minha namorada completamos oito meses juntos. Eu, muito romanticamente, levei-a para assistir um show… do Ultraje a Rigor. Tudo bem não há nada de romântico nisso, mas era uma apresentação única na Fiesp da Paulista e calhou de ser justamente no dia 26, fazer o que?

O negócio é o seguinte, já há algum tempo eu estava querendo escrever sobre o Ultraje, que é uma das minhas bandas favoritas, e fazer uma afirmação que talvez seja óbvia para alguns e talvez esdrúxula para outros. Aqui vai: O Ultraje a Rigor é, sem discussão, uma das bandas com letras mais inteligentes dos anos 80.

Estranho? Eu explico:

Analisando os meios de comunicação em massa e o reflexo destes na sociedade contemporânea, podemos ver que as letras do Ultraje são muito mais do que uma audição/leitura bastante superficial classificaria como, no máximo, divertida ou falando português claro, besteirol.

É óbvio que a maioria das músicas é engraçada. O que conta mais pontos para a esperteza de Roger Moreira, compositor e vocalista da banda, que, muito inteligentemente, sabe como as coisas funcionam e resolveu infiltrar sua ideologia em um rock’n’roll aparentemente, e só aparentemente, descompromissado.

Fundamentos? Aqui estão:

Pelado é uma música cujo objetivo é incitar o não uso de vestimentas por parte da sociedade em geral, incluindo seu pai, sua mãe, seu avô e sua tia? Pode ser, mas também é uma crítica ao pouco caso dos governantes (e também da sociedade, porque não?) em relação à cultura, alimentação, saúde e moradia do povão. Isso tudo em 1987, mais de vinte anos se passaram e parece que a barriga pelada ainda é a vergonha nacional.

Inútil. É uma porrada atrás da outra, sobre um povo que não consegue falar corretamente, se cuidar, ascender profissionalmente, pagar as contas e nem escolher presidente. Acho que já ouvi essa história antes.

E Nada a Declarar? (ou, como o Roger mesmo disse no show da Fiesp, a música mais conhecida como Cu) Essa decididamente é uma música que não tem conteúdo algum, feita num momento no qual a banda estava apagada, certo? Errado! Ela saiu pela primeira vez no álbum ao vivo 18 Anos Sem Tirar, de 1998. Roger reclama da baixaria generalizada, dor de corno e bunda pra todo lado (e olha que as mulheres-fruta ainda não tinham sido inventadas) que predominava na indústria fonográfica da época e, só para não sair por baixo, no final ainda enfia um palavrão: Cu!

Eu poderia continuar falando de outras músicas, como Rebelde Sem Causa, Sexo, Filha da Puta, dentre outras, mas acho que já deu pra entender meu ponto. Portanto, repito mais uma vez: Roger Moreira e sua trupe entendem muito bem da relação comunicação/sociedade e tiram o maior proveito disso. Quanto a mim, ainda tenho muito que estudar sobre essa relação. Só me resta desejar vida longa ao Ultraje a Rigor.

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Eleições 2008

Publicado por Gabriel Lage Neto em 28/08/2008

 

Sempre achei o Horário Político Gratuito um programa imperdível. Em tempos de eleições, quando eu morava em Belém, raramente perdia uma noite, gostava de ver os candidatos, os já famosos pela cara-de-pau, os “conhecidos” e as figuras que formam a imensa fauna que só se candidatam para aparecer mesmo.

 

É até engraçado, mas aqui em São Paulo não é a mesma coisa. Claro que existem algumas figuras tão engraçadas como em Belém, além dos que se tornaram populares nacionalmente por serem artistas, apresentadores de TV, esportistas, etc, mas é cansativo ver a cara do Kassab pelo menos duas vezes por bloco de comerciais (deve estar gastando uma fábula, a grande pergunta a ser feita é: Quem está pagando? O partido?) falando de tudo o que ele fez pela cidade, a Marta Suplicy com seu jingle reciclado (deixa a Marta trabalhar!), o Maluf com a sua Freeway, etc.

 

Justamente quando eu achava que tudo estava perdido, surgiram alguns comerciais formidáveis da Justiça Eleitoral alertando os eleitores a votarem com consciência. Dei uma procurada na Internet e os achei disponíveis para download nesse site aqui: http://tse.montana.inf.br . Baixei todos e mandei pro Youtube:

 

Quatro anos sapateando:

 

Quatro anos andando em círculos:

 

Quatro anos se emocionando com o toque do celular:

 

Quatro anos com uma abelha no ouvido:

 

Para mim os dois primeiros são os melhores. O melhor momento do primeiro é quando o personagem está fazendo uma apresentação, fica nervoso, começa a sapatear e põe a mãozinha na cintura, é um clássico instantâneo. No segundo o destaque fica pela dramaticidade da atriz dizendo: “Não é pra lá. Não é pra lá. Não é pra lá! Meu Deus.” Muito bom mesmo.

 

É bom ver que o entretenimento está cada vez mais ligado à informação na comunicação brasileira. Coisa que, quando feita da forma certa, quase sempre garante a assimilação da mensagem. O trabalho da Justiça Eleitoral de advertir o eleitor sobre a importância do voto foi feito com primor desta vez. O negócio agora é esperar para ver o resultado.

 

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