É engraçado (leia-se trágico) como a Regina Casé consegue fazer uma leitura otimista das realidades brasileiras mais tristes. Eu estava vendo um pedaço do Fantástico ontem a noite e coincidiu justamente de ser na hora do quadro apresentado por ela, o Central da Periferia. O quadro foi sobre lan houses, salas de acesso à Internet, que parecem se reproduzir assustadoramente nas periferias do Brasil. A apresentadora narrou toda pimpona o sucesso de um ex-porteiro que conseguiu migrar para uma classe econômica melhor quando abriu uma lan house, dentre outras histórias de outros empresários do meio igualmente bem sucedidos. Palmas para esses empresários que conseguiram se virar e obter sucesso com seus empreendimentos, o que é extremamente difícil em um país como o nosso.
O problema é que a matéria foi completamente falha quando não só ignorou que essas salas são uma das causas mais fortes da evasão escolar e desencaminhamento de menores, como, em alguns momentos, afirmou justamente o contrário. Não digo isso sem embasamento, é fato no Orkut o número de pré-adolescentes não só habitantes da periferia, mas provenientes de todas as classes socio-econômicas, escrevendo um português macarrônico, postando fotos semi pornográficas e trocando mensagens com adultos não muito bem intencionados.
Não tenho a informação se existe uma legislação sobre o acesso de menores a lan houses, sei que na maioria é obrigatória a apresentação de RG, não sei como funciona na periferia e o programa não se importou em abordar o assunto.
Eu preferia, definitivamente, quando a Regina Casé fazia aquele programa humorístico com o Luiz Fernando Guimarães e não morava em um mundo cor-de-rosa onde tudo é digno de aplauso.

