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Sugestão para o dia das mães

Publicado por Gabriel Lage Neto em 06/05/2009

Neste dia das mães o melhor presente que você pode dar para a sua é este: nenhum. Quero dizer, nenhum presente material, nada do que anunciam incansavelmente na televisão que sua querida mãe merece. Nada de celulares, aparelhos de DVD, sapatos, roupas ou jóias, isso é papo furado de publicitário.

No lugar dessa parafernália supérflua e sem valor dê o que toda mãe quer de verdade, tudo bem, algumas até valorizam essas bobagens supérfluas, mas com certeza também apreciarão imensamente o que você tem a dar: amor.

No final das contas, todos os bens materiais exaustivamente comprados e pagos naquelas parcelas a perder de vista só dão alegria mesmo para as mães dos seus fabricantes e revendedores. A alegria da sua mãe por receber o presente dura o que? Na melhor das hipóteses, se ela gostar do que ganhou, um mês, ou até o celular quebrar, a roupa manchar e o sapato perder o salto, o que acontecer primeiro.

Amor de filho é um bem imperecível, com garantia pra vida toda e mais um pouquinho. Transforme esse dia criado pelo capitalismo apenas com o fim de lhe endividar e ganhar mais um dinheirinho em uma oportunidade de demonstrar seu carinho por sua mãe.

Ficamos combinados assim, então: Esqueça os shopping centers lotados e dedique o dia inteiro somente àquela que lhe ama com ou sem presentes nas mãos. No final ficará a certeza que dinheiro nenhum pode comprar, mesmo com todas as diferenças e desacordos, o amor de mães e filhos é um dos mais valorosos existentes.

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Um post que realmente vale a pena

Publicado por Gabriel Lage Neto em 11/03/2009

Desde que comecei com esse negócio de blog nunca tive vontade nem simpatizava com a idéia de postar um texto de outra pessoa só porque eu o achava muito bom.

Mas como estou em uma entressafra criativa acho que não pega tão mal.

Mas primeiro a explicação:

Esse é um texto do Antonio Prata, que recebi por e-mail em 2005, enviado por um dos meus grandes melhores amigos. Achei o texto muito bom e me identifiquei de cara, apesar de, na época, só me considerar meio intelectual. Eu não entendia que ser de esquerda, ou meio de esquerda não tem nada a ver com partido político e sim com posições e interesses politícos e civis.

Enfim, enquanto nada criativo sai da minha mente, fiquem com o texto do Antonio Prata:

Bar ruim é lindo, bicho
Antonio Prata

Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso freqüento bares meio ruins. Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de cento e cinqüenta anos. (Deve ter alguma coisa de errado com uma vanguarda de mais de cento e cinqüenta anos, mas tudo bem).

No bar ruim que ando freqüentando ultimamente o proletariado atende por Betão – é o garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas, acreditando resolver aí quinhentos anos de história.

Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos ficar “amigos” do garçom, com quem falamos sobre futebol enquanto nossos amigos não chegam para falarmos de literatura.

– Ô Betão, traz mais uma pra a gente – eu digo, com os cotovelos apoiados na mesa bamba de lata, e me sinto parte dessa coisa linda que é o Brasil.

Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos fazer parte dessa coisa linda que é o Brasil, por isso vamos a bares ruins, que têm mais a cara do Brasil que os bares bons, onde se serve petit gâteau e não tem frango à passarinho ou carne-de-sol com macaxeira, que são os pratos tradicionais da nossa cozinha. Se bem que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, quando convidamos uma moça para sair pela primeira vez, atacamos mais de petit gâteau do que de frango à passarinho, porque a gente gosta do Brasil e tal, mas na hora do vamos ver uma europazinha bem que ajuda.

Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, gostamos do Brasil, mas muito bem diagramado. Não é qualquer Brasil. Assim como não é qualquer bar ruim. Tem que ser um bar ruim autêntico, um boteco, com mesa de lata, copo americano e, se tiver porção de carne-de-sol, uma lágrima imediatamente desponta em nossos olhos, meio de canto, meio escondida. Quando um de nós, meio intelectual, meio de esquerda, descobre um novo bar ruim que nenhum outro meio intelectuais, meio de esquerda, freqüenta, não nos contemos: ligamos pra turma inteira de meio intelectuais, meio de esquerda e decretamos que aquele lá é o nosso novo bar ruim.

O problema é que aos poucos o bar ruim vai se tornando cult, vai sendo freqüentado por vários meio intelectuais, meio de esquerda e universitárias mais ou menos gostosas. Até que uma hora sai na Vejinha como ponto freqüentado por artistas, cineastas e universitários e, um belo dia, a gente chega no bar ruim e tá cheio de gente que não é nem meio intelectual nem meio de esquerda e foi lá para ver se tem mesmo artistas, cineastas e, principalmente, universitárias mais ou menos gostosas. Aí a gente diz: eu gostava disso aqui antes, quando só vinha a minha turma de meio intelectuais, meio de esquerda, as universitárias mais ou menos gostosas e uns velhos bêbados que jogavam dominó. Porque nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos dizer que freqüentávamos o bar antes de ele ficar famoso, íamos a tal praia antes de ela encher de gente, ouvíamos a banda antes de tocar na MTV. Nós gostamos dos pobres que estavam na praia antes, uns pobres que sabem subir em coqueiro e usam sandália de couro, isso a gente acha lindo, mas a gente detesta os pobres que chegam depois, de Chevette e chinelo Rider. Esse pobre não, a gente gosta do pobre autêntico, do Brasil autêntico. E a gente abomina a Vejinha, abomina mesmo, acima de tudo.

Os donos dos bares ruins que a gente freqüenta se dividem em dois tipos: os que entendem a gente e os que não entendem. Os que entendem percebem qual é a nossa, mantêm o bar autenticamente ruim, chamam uns primos do cunhado para tocar samba de roda toda sexta-feira, introduzem bolinho de bacalhau no cardápio e aumentam cinqüenta por cento o preço de tudo. (Eles sacam que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, somos meio bem de vida e nos dispomos a pagar caro por aquilo que tem cara de barato). Os donos que não entendem qual é a nossa, diante da invasão, trocam as mesas de lata por umas de fórmica imitando mármore, azulejam a parede e põem um som estéreo tocando reggae. Aí eles se dão mal, porque a gente odeia isso, a gente gosta, como já disse algumas vezes, é daquela coisa autêntica, tão Brasil, tão raiz.

Não pense que é fácil ser meio intelectual, meio de esquerda em nosso país. A cada dia está mais difícil encontrar bares ruins do jeito que a gente gosta, os pobres estão todos de chinelos Rider e a Vejinha sempre alerta, pronta para encher nossos bares ruins de gente jovem e bonita e a difundir o petit gâteau pelos quatro cantos do globo. Para desespero dos meio intelectuais, meio de esquerda que, como eu, por questões ideológicas, preferem frango à passarinho e carne-de-sol com macaxeira (que é a mesma coisa que mandioca, mas é como se diz lá no Nordeste, e nós, meio intelectuais, meio de esquerda, achamos que o Nordeste é muito mais autêntico que o Sudeste e preferimos esse termo, macaxeira, que é bem mais assim Câmara Cascudo, saca?).

– Ô Betão, vê uma cachaça aqui pra mim. De Salinas quais que tem?

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Adeus Ano Velho

Publicado por Gabriel Lage Neto em 01/01/2009

Sempre digo que as únicas informações que eu guardo na memória são as besteiras sem valor algum. A maioria das coisas que são realmente importantes ou interessantes eu acabo esquecendo.

A prova disso é que eu estava pensando em algo para escrever neste novo ano e me lembrei daquela detestável e grudenta música de fim, ou começo, de ano da Rede Globo, que começa assim: Hoje é um novo dia, de um novo tempo, que começou. Sempre tive um problema com essa música, devido aos seguintes versos: Nesses novos dias, as alegrias, serão de todos é só querer. Todos nossos sonhos serão verdade, o futuro já começou.

O que mais me incomodava, e ainda incomoda, bem menos, é verdade, mas incomoda, nem é o fato de ela dizer que todos serão alegres, basta querer, o que para mim é uma sacanagem das grandes com os maníaco-depressivos. O que realmente me incomodava era a pressão, talvez existente só na minha cabeça, para que todos se esforçassem para concretizar seus sonhos, pois o futuro já está aí, batendo na sua porta, e quando você menos perceber vai estar velho e não vai ter realizado porcaria nenhuma na vida, seu idiota. Ok, se todos os sonhos serão verdade, desejo parar de querer escrever textos pseudo-engraçadinhos e descambar no pessimismo-fundo-de-poço.

Para fugir um pouco desse pensamento, forcei a memória e me lembrei de outra canção bastante apropriada para esta época do ano, que também sempre achei meio melancólica: Mais um ano vai, mais um ano vem, rolou tanta coisa e tudo bem. Se você pensou e não realizou, tudo se resolve no ano que vem. Pra recomeçar, pra comemorar, paz, muita saúde e amor também. Apesar da melancolia é uma música até bacana, talvez exista uma luz no fim do túnel mesmo. Munido de bons pensamentos, entrei na Internet e fui pesquisar a sua procedência, coisa que foi, infelizmente, mais fácil do que eu imaginava. Trata-se de um antigo jingle de cerveja, cujos versos finais são deploráveis: E muita grana, trabalho, fama. É o que a Brahma vem desejar.

Desisto de relembrar canções pertinentes e apenas quero desejar a todos um feliz 2009, cheio de paz, amor, felicidades, fartura, saúde e tudo de bom. E também menos televisão ruim e mais livros interessantes para os nossos olhos e menos, bem menos, jingles publicitários e mais músicas de qualidade para os nossos ouvidos.

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Regina Casé e a inclusão digital

Publicado por Gabriel Lage Neto em 17/11/2008

É engraçado (leia-se trágico) como a Regina Casé consegue fazer uma leitura otimista das realidades brasileiras mais tristes. Eu estava vendo um pedaço do Fantástico ontem a noite e coincidiu justamente de ser na hora do quadro apresentado por ela, o Central da Periferia. O quadro foi sobre lan houses, salas de acesso à Internet, que parecem se reproduzir assustadoramente nas periferias do Brasil. A apresentadora narrou toda pimpona o sucesso de um ex-porteiro que conseguiu migrar para uma classe econômica melhor quando abriu uma lan house, dentre outras histórias de outros empresários do meio igualmente bem sucedidos. Palmas para esses empresários que conseguiram se virar e obter sucesso com seus empreendimentos, o que é extremamente difícil em um país como o nosso.

O problema é que a matéria foi completamente falha quando não só ignorou que essas salas são uma das causas mais fortes da evasão escolar e desencaminhamento de menores, como, em alguns momentos, afirmou justamente o contrário. Não digo isso sem embasamento, é fato no Orkut o número de pré-adolescentes não só habitantes da periferia, mas provenientes de todas as classes socio-econômicas, escrevendo um português macarrônico, postando fotos semi pornográficas e trocando mensagens com adultos não muito bem intencionados.

Não tenho a informação se existe uma legislação sobre o acesso de menores a lan houses, sei que na maioria é obrigatória a apresentação de RG, não sei como funciona na periferia e o programa não se importou em abordar o assunto.

Eu preferia, definitivamente, quando a Regina Casé fazia aquele programa humorístico com o Luiz Fernando Guimarães e não morava em um mundo cor-de-rosa onde tudo é digno de aplauso.

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Rápidas considerações sobre Max Payne, o filme

Publicado por Gabriel Lage Neto em 28/10/2008

Assisti ontem a adaptação para o cinema do jogo Max Payne. Sinceramente, não gostei muito, talvez, por mais incrível que possa parecer, por eu nunca ter jogado o jogo.

Porém, pelo o que eu li na Wikipédia, o filme segue bem a história original do jogo. Acho que vale a pena, para quem é fã, dar uma olhada em como ficou.

Agora me ocorre um pensamento: não sei se é bom ou ruim, mas, alguém já reparou em quantos jogos estão virando filmes quando, há não muito tempo, o que ocorria era justamente o contrário?

Mais filmes inspirados em jogos:

Street Fighter

Mortal Kombat

Doom

Tomb Raider

Hitman

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Mais Rick Astley

Publicado por Gabriel Lage Neto em 28/10/2008

Ainda estupefato com o vídeo abaixo (Rick roll), me peguei pensando que o que as musicas do Rick Astley têm de bregas elas têm de legais. Aliás, acredito que isso se aplica a muitas coisas, pode ver: quase tudo que cruza as barreiras da “ruindade” acaba se tornando muito legal.

Ainda não deu pra convencer? Dá uma olhada aí nesse Top 3 da música brega estrelando ele (claro), Rick Astley.

Keep It Turned On (Remix)

Começamos com a versão remixada deste que parece ser um dos últimos clássicos do mestre. Infelizmente não achei o videoclipe original da música, na verdade nem sei se ele existe, porém podemos ficar com a simpática imagem de Rick deitado no seu confortável banco de madeira, segurando um chapeuzinho.

Na letra ele chama a atenção de alguém que só sabe reclamar da vida e acha que a grama não está verde o bastante. Rick aparenta saber das coisas, lá pelo meio da música ele dá uma de filósofo: A vida é o que você faz dela, baby, yeah!

Curiosidade: Após a primeira audição desta canção, lá pelos idos de 2004, meu amigo Herodes Moçambique criou a comunidade “Analisando Letras de Músicas – Rick Astley”. Depois de dois anos como único membro, Herodes mudou o nome para “Durmo com meu celular ao lado – Só VIPs” e alcançou o estrelato virtual. Quando o número de membros da comunidade ultrapassou os seis dígitos ele a vendeu por uma fábula. Herodes hoje só quer saber de tomar caipirinhas em praias do Nordeste, sempre ao som de Rick Astley.

Together Forever

Nosso herói começa o vídeo dando um baita de um empurrão numa moça de boina vermelha. Se fosse outra pessoa em seu lugar ela teria apenas murmurado um palavrão e seguido adiante, mas com Rick Astley a coisa é diferente, ele consegue transformar a situação embaraçosa em um flerte maroto.

Começa a música, Rick mostra todo seu suingue e simpatia junto a sua trupe de dançarinos, por enquanto só nos resta curtir o refrão: Together forever and never to part, together forever we two…

Enquanto isso, vemos Rick ligando para a garota, Percebam que ela é uma paranormal, pois antes mesmo de atender ao telefone já sabia quem estava do outro lado da linha, vejam a alegria da jovem ao tirar o fone do aparelho. Notem também que além de paranormal, ela é muito carente, ou é tão doida quanto o Rick, pois após ele se identificar dizendo algo do tipo “Alô, aqui é o Rick Astley, eu dei um esbarrão em você hoje pela manhã, roubei uma foto que tinha seu telefone anotado e agora estou lhe ligando”, o seu sorriso se alarga ainda mais. Qualquer um em seu lugar desligaria o telefone no ato e chamaria a policia.

Atenção aos 02:11 minutos do clipe, Rick é cercado por suas dançarinas que tascam algumas beijocas em suas bochechas, Rick se mostra impassível, apenas dá uma olhadinha para cima como quem diz “Eu sou foda mesmo”, e segue dançando e rodando até o final do clipe.

Curiosidade: Repare que primeiro a moça desliga o telefone, depois é a vez do Rick, a câmera corta para ele e os bailarinos gingando e fazendo suas dancinhas. Até aí tudo normal, acontece que depois Rick é mostrado falando ao telefone, mas com quem, se a paquerinha lá já tinha desligado? Só nos resta concluir que o sucesso já estava subindo à sua cabeça e fritando seu cérebro, isso há mais de vinte anos atrás. Imaginem em que estado está a mente de nosso herói hoje em dia.

Never Gonna Give You Up

Claro que este clássico não poderia faltar nesse Top 3. Não tenho muitas observações, já que no próprio vídeo várias informações esdrúxulas a respeito da sua produção foram feitas. Porém lembre-se sempre, Rick Astley nunca irá desistir de você, nunca vai lhe decepcionar, nunca vai correr por aí e lhe deixar, nunca vai lhe fazer chorar, nunca vai dizer adeus, nunca vai contar uma mentira e lhe machucar.

Curiosidade: Quem é essa figura se jogando na redinha aos 02:07 minutos?

Bônus:

Cry For Help

Nunca gostei dessa música chata.

Hold Me In Your Arms

Perceba aos 03:09 minutos o senhor de chapéu que tenta disfarçar seu desconforto dando tapinhas nas costas do Rick enquanto ele o está holdando em seus arms.

É isso aí, agora chega de Rick Astley por aqui.

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Andando Reto

Publicado por Gabriel Lage Neto em 16/10/2008

Então, vamos lá! O segundo da série Os 100 Melhores Filmes Que Eu Já Assisti:

Johnny e June, filme baseado nas biografias Man In Black e Cash: The Autobiography escritas pelo próprio Johnny Cash.

Breve ficha técnica:
Título original: Walk The Line
Ano: 2005
Diretor: James Mangold
Roteiristas: James Mangold e Gil Dennis. Baseados nos relatos de Johnny Cash (Man In Black / Cash: The Autobiography) e Patrick Carr (Cash: The Autobiography)

Confesso que conhecia absurdamente pouco sobre o Johnny Cash quando vi o filme pela primeira vez. Eu havia acabado de chegar à São Paulo, tinha visto alguns pôsteres promocionais nos cinemas de Belém, e resolvi conferir a história do músico country norte americano. Gostei tanto que em menos de uma semana fui novamente ao cinema assistir novamente (minha vida na época era bem mais simples do que é nos dias atuais, ainda não tinha passado na seleção da pós da USP, por conseqüência devo ter visto todos os filmes que estavam em cartaz).

O filme dá uma breve pincelada na infância de Cash (Joaquin Phoenix), talvez para justificar seus atos na maturidade ou apenas para mostrar suas origens mesmo. Logo depois pula para sua busca por uma gravadora, reconhecimento de suas canções, o inevitável alcance do estrelato e o encontro com June Carter (Reese Whiterspoon), de quem era fã desde criança.

O título original “Walk The Line” é obviamente mais pertinente à história. Já que fica bem claro o que é que Cash tem que fazer para conseguir o que tanto busca durante o filme inteiro.

Novamente é necessário citar a Jornada do Herói de Joseph Campbell, já que o protagonista percorre praticamente todos os seus estágios, tais como o Mundo Comum, o Chamado da Aventura, Encontro com o Mentor, O Primeiro Portal, Provações, Recompensa, Ressurreição do Herói e, principalmente, o Regresso com o Elixir.

Recomendo fortemente o filme, principalmente para os homens que, como eu, são persistentes e fiéis às suas vontades e às mulheres que conseguem enlouquecer qualquer marmanjo.

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Primeiros episódios da 3a temporada de Dexter

Publicado por Gabriel Lage Neto em 10/10/2008

Estou querendo muito escrever sobre essa estréia, já assisti o primeiro episódio e metade do segundo. Agora estou em Belém de “férias” e, por incrível que pareça, o tempo aqui tá mais corrido que em São Paulo. Então fica assim: no meio da semana que vem sai um post sobre os três primeiros episódios, tudo numa pancada só. O que posso dizer até agora é que gostei bastante do que já vi.

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Ultraje Completo

Publicado por Gabriel Lage Neto em 06/10/2008

No último dia 26 eu e minha namorada completamos oito meses juntos. Eu, muito romanticamente, levei-a para assistir um show… do Ultraje a Rigor. Tudo bem não há nada de romântico nisso, mas era uma apresentação única na Fiesp da Paulista e calhou de ser justamente no dia 26, fazer o que?

O negócio é o seguinte, já há algum tempo eu estava querendo escrever sobre o Ultraje, que é uma das minhas bandas favoritas, e fazer uma afirmação que talvez seja óbvia para alguns e talvez esdrúxula para outros. Aqui vai: O Ultraje a Rigor é, sem discussão, uma das bandas com letras mais inteligentes dos anos 80.

Estranho? Eu explico:

Analisando os meios de comunicação em massa e o reflexo destes na sociedade contemporânea, podemos ver que as letras do Ultraje são muito mais do que uma audição/leitura bastante superficial classificaria como, no máximo, divertida ou falando português claro, besteirol.

É óbvio que a maioria das músicas é engraçada. O que conta mais pontos para a esperteza de Roger Moreira, compositor e vocalista da banda, que, muito inteligentemente, sabe como as coisas funcionam e resolveu infiltrar sua ideologia em um rock’n’roll aparentemente, e só aparentemente, descompromissado.

Fundamentos? Aqui estão:

Pelado é uma música cujo objetivo é incitar o não uso de vestimentas por parte da sociedade em geral, incluindo seu pai, sua mãe, seu avô e sua tia? Pode ser, mas também é uma crítica ao pouco caso dos governantes (e também da sociedade, porque não?) em relação à cultura, alimentação, saúde e moradia do povão. Isso tudo em 1987, mais de vinte anos se passaram e parece que a barriga pelada ainda é a vergonha nacional.

Inútil. É uma porrada atrás da outra, sobre um povo que não consegue falar corretamente, se cuidar, ascender profissionalmente, pagar as contas e nem escolher presidente. Acho que já ouvi essa história antes.

E Nada a Declarar? (ou, como o Roger mesmo disse no show da Fiesp, a música mais conhecida como Cu) Essa decididamente é uma música que não tem conteúdo algum, feita num momento no qual a banda estava apagada, certo? Errado! Ela saiu pela primeira vez no álbum ao vivo 18 Anos Sem Tirar, de 1998. Roger reclama da baixaria generalizada, dor de corno e bunda pra todo lado (e olha que as mulheres-fruta ainda não tinham sido inventadas) que predominava na indústria fonográfica da época e, só para não sair por baixo, no final ainda enfia um palavrão: Cu!

Eu poderia continuar falando de outras músicas, como Rebelde Sem Causa, Sexo, Filha da Puta, dentre outras, mas acho que já deu pra entender meu ponto. Portanto, repito mais uma vez: Roger Moreira e sua trupe entendem muito bem da relação comunicação/sociedade e tiram o maior proveito disso. Quanto a mim, ainda tenho muito que estudar sobre essa relação. Só me resta desejar vida longa ao Ultraje a Rigor.

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O Padrinho

Publicado por Gabriel Lage Neto em 26/09/2008

 

Comecemos então pelo começo. O filme inaugural da série os 100 melhores filmes que eu já assisti não poderia ser outro senão o meu preferido, e de qualquer pessoa com alguma noção do que é bom cinema: O Poderoso Chefão.

 

Breve ficha técnica:

Título original: The Godfather

Ano: 1972

Diretor: Francis Ford Coppola

Roteiristas: Francis Ford Coppola e Mario Puzo

Baseado no livro homônimo escrito por Mario Puzo

 

Quem quer que assista a este filme prestando o mínimo de atenção perceberá que estão presentes ensinamentos preciosos que são repassados através de vários elementos mitológicos: a volta do filho pródigo, a hereditariedade de poder, etc, etc.

 

Para não estragar para quem não assistiu a película ainda (o que é uma vergonha), só algumas pinceladas:

 

O filme se inicia mostrando o Mundo Real dos Corleone: O agente funerário Bonasera (Salvatore Corsitto) vai chorar suas pitangas para o Don Vito Corleone (Marlon Brando), porque dois jovens americanos violentaram sua filha. Para começo de conversa, esse tal de Bonasera é um italiano muito do seu fuleiro: foi pra América, ficou rico, não quis se juntar aos seus compatriotas por que ficou com medinho de ter problemas com a justiça, só por que a italianada ganhava dinheiro de modo alternativo. Agora que a justiça americana lhe deu as costas ele vem até os Corleone pedindo por justiça.

 

Essa é somente uma das diversas reuniões do velho Don, e isso por que é o dia do casamento de sua filha mais nova, Connie Corleone (Talia Shire) com Carlo Rizzi (Gianni Russo), que é outro safado pior que o Bonasera (que, mais tarde vai retornar o favor ao Don). Mas a história do Carlo fica para quem assistir ao filme.

 

Esse é o cotidiano da Família Corleone, a família mafiosa mais respeitada da América. Durante a lei seca o jovem Vito faturava contrabandeando bebidas, dentre outras atividades ilegais. Nos anos 40 ele já é o mais poderoso chefe da máfia nova iorquina, é aí que as coisas começam a se complicar para a família. Depois de sofrer um atentado, Vito passa o posto de chefe da família para seu filho mais novo, Michael (Al Pacino) que segue todos os passos da Jornada do Herói descrita por Joseph Campbell.

 

Em suma, é um filme excelente. Atores de primeira linha (James Caan, Robert Duvall, John Cazale, etc.) atuando na sua melhor fase, perseguições de carro, tiroteios e gente morrendo a todo instante. Em uma só palavra: fenomenal.

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