Responsabilidade e justiça
Publicado por Gabriel Lage Neto em 01/03/2010
Eventualmente o assunto erro médico ocupa as manchetes de jornais. Esta é uma questão tão delicada que deve ser tratada com a maior cautela possível. Nesses casos, como saber quando um profissional realmente errou ou quando tudo o que havia para ser feito foi realizado e mesmo assim não foi possível evitar uma fatalidade?
Muito se fala que tais fatos são normais, que pessoas desesperadas precisam culpar alguém por sua infelicidade, que todos nós iremos morrer mesmo um dia e não há nada a fazer. É óbvio que nunca se deve jogar o nome de um profissional na lama sem a certeza de que o mesmo cometeu um erro, porém, é extremamente difícil encarar como acerto fatalidades como seqüelas que afetarão toda a vida e até mesmo a morte de pessoas extremamente jovens.
Creio que existam muitas de famílias enlutadas ou que precisam conviver com os resultados de operações mal sucedidas pelo resto da vida e nunca tenham sequer cogitado punir legalmente os responsáveis pelo seu sofrer. Talvez por resignação, desamparo ou por falta de confiança na justiça dos homens.
Casos como esses precisam realmente ser estampados em outdoors, noticiários televisivos e manchetes de jornais. A sociedade precisa saber diferenciar quem são os profissionais de confiança e quem são os irresponsáveis que agem como se a vida humana não tivesse valor e conseguem escapam impunes.
Por mais que estejam passando por momentos difíceis, as famílias envolvidas devem clamar por justiça, expor a sua dor para que outros não passem futuramente pelo mesmo calvário. É necessário que a insensatez de tais profissionais seja alardeada, que eles paguem uma pena tão pesada, ou até maior, do que criminosos propriamente ditos. Pois eles, ao contrário destes, possuíam a confiança de suas vítimas.
A estes profissionais exageradamente bem remunerados deve-se pedir somente uma coisa: responsabilidade. Se os mesmos não respeitam os votos que fizeram na ocasião de suas formaturas, que façam então valer todo o dinheiro que ganham do cidadão, que precisa gastar muito quando tem cuidar de sua saúde.
A justiça dos homens, por ser absurdamente falha, não traz conforto algum às famílias prejudicadas. Mas, felizmente, todos podem contar com a justiça divina, que, ao contrário da terrena, nunca falha e sempre está alerta a tudo.
Este texto foi originalmente publicado no jornal O Liberal do dia 27/02/10