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Posts de Agosto, 2008

Empregos que eu gostaria de ter, parte 01

Publicado por Gabriel Lage Neto em 30/08/2008

 

 

Promotor de vendas fantasiado

 

Sabe aqueles caras que andam fantasiados nas ruas para promover um produto? Tipo o cara que se veste de celular para fazer propaganda de certa empresa de telefonia ou se veste de ogro para promover um novo filme de animação. Esses caras têm o melhor emprego do mundo. Quero dizer, o salário não deve ser dos melhores, mas, quem se importa com dinheiro quando pode extravasar todo o sadismo que comporta no seu pequeno coração? Em qual outro emprego a pessoa é tão livre para fazer o que lhe der na telha? Pode assustar criancinhas, chutar bengalas de cegos, passar a mão na bunda da mulherada. O que vão fazer? Nada! Quem vai tirar satisfações com um sujeito vestido de vaca?

 

Aqui perto de casa já tive a oportunidade de ver um cara vestido de Kung Fu Panda, esse até que era comportadinho, dava atenção pra criançada, tirava fotos, etc. Mas, quem realmente tira proveito do anonimato que a fantasia garante, é o sujeito fantasiado de Big Pastel, que perambula pela Avenida Paulista diariamente.

 

 

Sujeito fantasiado de Big Pastel, um trabalhador realizado.

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Eleições 2008

Publicado por Gabriel Lage Neto em 28/08/2008

 

Sempre achei o Horário Político Gratuito um programa imperdível. Em tempos de eleições, quando eu morava em Belém, raramente perdia uma noite, gostava de ver os candidatos, os já famosos pela cara-de-pau, os “conhecidos” e as figuras que formam a imensa fauna que só se candidatam para aparecer mesmo.

 

É até engraçado, mas aqui em São Paulo não é a mesma coisa. Claro que existem algumas figuras tão engraçadas como em Belém, além dos que se tornaram populares nacionalmente por serem artistas, apresentadores de TV, esportistas, etc, mas é cansativo ver a cara do Kassab pelo menos duas vezes por bloco de comerciais (deve estar gastando uma fábula, a grande pergunta a ser feita é: Quem está pagando? O partido?) falando de tudo o que ele fez pela cidade, a Marta Suplicy com seu jingle reciclado (deixa a Marta trabalhar!), o Maluf com a sua Freeway, etc.

 

Justamente quando eu achava que tudo estava perdido, surgiram alguns comerciais formidáveis da Justiça Eleitoral alertando os eleitores a votarem com consciência. Dei uma procurada na Internet e os achei disponíveis para download nesse site aqui: http://tse.montana.inf.br . Baixei todos e mandei pro Youtube:

 

Quatro anos sapateando:

 

Quatro anos andando em círculos:

 

Quatro anos se emocionando com o toque do celular:

 

Quatro anos com uma abelha no ouvido:

 

Para mim os dois primeiros são os melhores. O melhor momento do primeiro é quando o personagem está fazendo uma apresentação, fica nervoso, começa a sapatear e põe a mãozinha na cintura, é um clássico instantâneo. No segundo o destaque fica pela dramaticidade da atriz dizendo: “Não é pra lá. Não é pra lá. Não é pra lá! Meu Deus.” Muito bom mesmo.

 

É bom ver que o entretenimento está cada vez mais ligado à informação na comunicação brasileira. Coisa que, quando feita da forma certa, quase sempre garante a assimilação da mensagem. O trabalho da Justiça Eleitoral de advertir o eleitor sobre a importância do voto foi feito com primor desta vez. O negócio agora é esperar para ver o resultado.

 

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Telma

Publicado por Gabriel Lage Neto em 11/08/2008

Pois essa que eu vou te contar é de mais ou menos dez anos atrás.

 

Era ano de eleição e eu estava trabalhando na campanha do seu Venâncio para deputado estadual. Reuni uma turma boa de conversa e todo dia íamos do comitê para as ruas, para fazer a propaganda do homem. Tudo ia muito bem.

 

O que acontece é que nos finais de semana a turma se reunia para ir ao boteco do Jurandir, um gordo moreno escuro que também estava trabalhando conosco na campanha. Nessas idas ao boteco bastante gente se juntava com a turma do comitê, irmão de um, amigo da outra, conhecido de sei lá onde. Em uma dessas apareceu por lá a Telma, prima do Jurandir.

 

Na semana seguinte correu a notícia de que o Marcelo, também da nossa turma, tinha se interessado pela Telma. Não me espantei, era uma morena boa, baixinha, mas boa. Tenho certeza que o Marcelo não foi o único da turma a reparar nela, eu mesmo dei minhas olhadas, mas como o outro falou primeiro, decidi ficar quieto.

 

Mais um fim de semana, todo mundo bebendo no boteco, clima de confraternização, a campanha ia bem segundo as pesquisas, se o seu Venâncio se re-elegesse todo mundo estava de emprego garantido na Assembléia. O Marcelo era o mais animado, ficou a noite inteira conversando com a Telma. Juro que fiquei feliz por ele, mesmo percebendo que ela não correspondia às investidas.

 

Pois bem no final da noite apareceu um negão do tamanho de um armário por lá. O Jurandir esqueceu de dizer que a prima era noiva. Por sorte nada aconteceu com o Marcelo, a turma explicou que todo mundo ali era amigo, e o negão, que era mais conhecido pelo seu apelido, Cruel, levou a Telma para longe dali.

 

Quatro dias depois o Jurandir veio falar comigo: “Rapaz, tenho uma notícia pra você”. Desconfiei logo: “É coisa boa ou ruim?”. Ele se abancou na minha frente, olhou pros lados e falou: “É um misto dos dois”. Dei uma risada: “Desabafa, Jura”. Ele riu também, e soltou: “A Telma perguntou por ti. Disse que, se quiseres, ela também quer”. Deixei o material da campanha que eu estava arrumando em cima da mesa, respirei e falei: “Porra Jura, quer o que? E o Marcelo? Mais importante ainda, e o Cruel, porra? Não me mete nessa”. O Jurandir fez uma cara de desconfiado, como se eu não estivesse com a razão. “Eu só sou o mensageiro, chefe, se você quiser chegar junto é só chegar, não tem bronca. Recado dado”. Concordei com a cabeça: “Recado dado, Jura. Agora vamos trabalhar”.

 

O problema é que a carne é fraca, companheiro. Não apareci no boteco no fim de semana seguinte, mas na sexta pedi pro Jurandir o telefone da prima. A imagem da morena ficou na minha cabeça a semana toda, não consegui pensar em mais nada, pro inferno com o Cruel, no sábado mesmo passei a noite com a Telma.

 

Depois falei com o Marcelo, ele disse que estava tudo bem, que a visão do Cruel o tinha desestimulado, me deu os parabéns e me recomendou cuidado. Apertamos as mãos e fomos ao trabalho. Com o passar do tempo todo o comitê já sabia do meu rolo com a Telma, às vezes ela aparecia por lá antes de sairmos pras ruas, às vezes quando voltávamos.

 

Eu não fazia perguntas. Tinha saído de um namoro longo e queria aproveitar, a Telma era perfeita pra ocasião, secretária de um escritório de advocacia, sem muita cultura, coitada, mas era esforçada: o que deixava a desejar no intelectual, compensava, e muito, em outras áreas, se é que o senhor me entende.

 

Final de campanha, seu Venâncio re-eleito, todo mundo feliz, o deputado deu um adiantado pro Jurandir e mandou fechar o boteco pra turma. Eu ainda estava com a Telma, mas confesso que já meio de banda, a Lívia, uma loirinha estagiária do jurídico da campanha, começou a se engraçar para o meu lado quando soube que eu ia ser o assessor direto do chefe.

 

Fui pra comemoração, mas com hora marcada pra sair, deixei a loirinha me esperando na casa dela, para irmos pra um lugar mais arrumado depois. No boteco abracei todo mundo, pulei e bebi com o Marcelo, sem tirar o olho do relógio. Faltando meia hora para eu sair o Jurandir me chamou no canto: “Outra notícia pra ti”. Não dei bola: “Fala Jura, fala de uma vez”. Ele abaixou o tom de voz: “O Cruel tá sabendo que alguém tá pegando a noiva dele, isso não vai acabar bem”. Não sei por que, mas não me abalei: “Que se dane o Cruel, Jura. Já estou saindo daqui, não quero mais nada com a tua prima, sabe a Lívia? Vou sair com ela agora”. Dei um Abraço no Jurandir, me despedi da Telma e parti.

 

No outro dia meu telefone tocou cedo, a Lívia nem acordou, só virou para o lado. Era um rapaz do comitê, ligou para avisar que o Marcelo, a Telma e o gordo Jurandir tinham sido assassinados de madrugada no boteco, ninguém sabia do motivo, o cara entrou, atirou nos três, e foi embora sem levar nada. Falei que ia avisar o seu Venâncio e que ia tratar de tudo. Desliguei o telefone, caminhei até a janela e fiquei pensando por alguns minutos, as ruas ainda estavam vazias, mas em menos de uma hora o movimento de mais um dia de trabalho iria tomá-las. Por fim, me deitei com a Lívia e concluí que tudo ficaria bem, no ano novo eu ia estar bem empregado e isso tudo não seria mais do que uma má lembrança.

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